Resposta direta
Tendinite no punho é o nome comum para a irritação dos tendões que atravessam o punho para mover a mão e os dedos. Eles passam por túneis estreitos, envolvidos por uma bainha que funciona como lubrificante, e é essa bainha que costuma ficar sensível quando o uso da mão aumenta de forma repentina. A queixa típica é dor localizada em um ponto do punho, que piora com movimento e com esforço de preensão, às vezes com inchaço discreto e com uma sensação de atrito ao mover.
O punho não tem um tendão só, e é por isso que a mesma expressão cobre quadros bem diferentes. Em geral o fisioterapeuta avalia em qual ponto a dor aparece, qual movimento a reproduz, como está a força da mão e o que mudou na rotina de uso recentemente, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a tendinite no punho
O punho é uma passagem apertada. Dezenas de tendões saem do antebraço, cruzam essa região organizados em compartimentos e seguem para a mão. Cada compartimento tem uma bainha própria, e o que a pessoa chama de tendinite quase sempre é irritação dessa bainha, chamada tenossinovite.
As formas que mais aparecem são:
- Tenossinovite de De Quervain, do lado do polegar. Dói ao pegar objetos com a mão em pinça, ao torcer maçaneta e ao levantar peso com o polegar para cima. É clássica em quem passou a carregar uma criança de colo com frequência.
- Tendinite dos extensores, no dorso do punho. Dói ao levantar a mão contra resistência e é comum em trabalho com teclado, ferramenta e volante.
- Tendinite dos flexores, na palma. Dói ao fechar a mão com força.
- Dedo em gatilho, quando o tendão trava na entrada do túnel e o dedo estala ou fica preso dobrado por um instante.
Nos quadros que duram semanas, o achado costuma ser espessamento da bainha e alteração do deslizamento, mais do que inflamação aguda. Isso muda a conversa sobre repouso: imobilizar por longos períodos costuma reduzir a dor no curto prazo e deixar o punho menos tolerante ao esforço depois.
Um sinal separa bem esta condição da vizinha mais confundida com ela: formigamento e dormência na mão não são queixa típica de tendinite. Quando o sintoma principal é adormecimento dos dedos, sobretudo à noite, a origem costuma ser de nervo, e a página da síndrome do túnel do carpo trata disso.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Aumento repentino de uso da mão, que é o fator mais frequente. Uma tarefa nova, um período de horas extras, um hobby manual recém começado.
- Movimento repetido com força, como apertar, torcer, digitar por longos períodos sem pausa ou usar ferramenta vibratória.
- Posição mantida no limite da mobilidade, com o punho muito dobrado ou muito estendido por horas.
- Período pós-parto e cuidado de bebê, associado à forma do polegar.
- Gravidez, diabetes e doenças reumáticas, que alteram o tecido da bainha e a retenção de líquido na região.
- Trabalho sem variação de tarefa, em que a mesma estrutura recebe carga o dia inteiro.
Vale registrar o que costuma não ser verdade: usar computador não causa tendinite por si só. O que aparece associado é o volume sem pausa e a posição forçada, não o teclado como objeto.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Dor no punho depois de queda sobre a mão, pancada ou torção
- Punho quente, vermelho e muito inchado, em especial com febre
- Deformidade visível ou incapacidade de mover a mão
- Dormência, formigamento ou fraqueza que atinge os dedos
- Dor em várias articulações ao mesmo tempo, com rigidez matinal prolongada
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta sempre que o uso da mão aumenta, ou quando atrapalha o trabalho e as tarefas do dia a dia.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta localiza o ponto exato da dor, testa cada grupo de tendões em posições que carregam um de cada vez, mede força de preensão e de pinça, confere mobilidade do punho e do antebraço e mapeia a rotina de uso da mão, incluindo o posto de trabalho.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve devolver mobilidade sem provocar o compartimento irritado e, ao longo de semanas, construir tolerância à carga que a pessoa precisa suportar.
Esta página não indica exercício para tendinite no punho, e a razão aqui é de endereço anatômico. O punho tem compartimentos vizinhos com funções opostas: o movimento que carrega os extensores é exatamente o que alonga e provoca os flexores, e o gesto que trabalha o polegar na forma de De Quervain é o mesmo que costuma disparar a dor dessa pessoa nas primeiras semanas. Uma lista genérica escrita para "punho" acerta um compartimento e erra o vizinho, e quem lê não tem como saber qual dos dois é o seu, porque a dor dos dois é descrita com as mesmas palavras. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro, que costuma incluir ajuste do posto de trabalho, pausas distribuídas, troca de pegada em tarefas repetidas e orientação sobre o uso de órtese, quando ela tiver sido indicada.
Recursos como terapia manual, crioterapia e eletroterapia costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: quadros ligados a um aumento pontual de uso costumam melhorar ao longo de algumas semanas, quando a demanda é ajustada. Quadros que já duram meses, ou que acompanham uma condição de base, costumam exigir acompanhamento mais longo e melhora gradual.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Tendinite no punho e dormência na mão é a mesma coisa?
Em geral não. Dor localizada que piora com movimento é o padrão de tendão. Adormecimento e formigamento nos dedos, principalmente de madrugada, costuma apontar para compressão de nervo, como na síndrome do túnel do carpo. As duas podem coexistir, e o exame físico é o que separa.
Preciso usar tala o tempo todo?
Depende de quem avaliou. A órtese costuma ser usada por períodos definidos, para poupar a estrutura irritada em momentos específicos, e não como solução permanente. Imobilização prolongada por conta própria costuma custar mobilidade e força.
Dá para continuar trabalhando?
Na maioria dos casos o ajuste é de quantidade e de forma, não de parada total. O que se costuma revisar é o intervalo entre tarefas, a pegada usada e o tempo contínuo na mesma posição. A definição disso para a sua rotina é de quem acompanha o caso.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando a queixa está ligada ao trabalho, a avaliação costuma considerar também o ambiente e a organização das tarefas.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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