Resposta direta
A dor lombar é o desconforto que aparece na parte baixa das costas, entre o fim das costelas e o início dos glúteos. Ela é a queixa musculoesquelética mais comum no mundo, e na maioria absoluta dos casos não tem uma causa grave por trás: o episódio costuma estar ligado a sobrecarga, a um período de pouca movimentação, a uma mudança brusca de rotina ou a uma combinação dessas coisas. Na maior parte das vezes o quadro melhora ao longo de algumas semanas.
A fisioterapia é um dos caminhos mais usados quando a dor persiste ou volta com frequência. Em linhas gerais, o fisioterapeuta avalia como a pessoa se movimenta, o que piora e o que alivia o sintoma, e monta um acompanhamento a partir disso. O que esse acompanhamento inclui varia conforme o caso, e por isso nenhuma orientação genérica encontrada na internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a dor lombar
A região lombar é a parte da coluna que sustenta a maior parte do peso do tronco. Ela é formada por cinco vértebras, pelos discos entre elas, por articulações pequenas na parte de trás, e por um conjunto grande de músculos e ligamentos que trabalham juntos para manter o tronco estável enquanto a pessoa se move.
Quando se fala em dor lombar, fala-se de um sintoma, não de um diagnóstico. A mesma dor pode vir de estruturas diferentes, e é comum que mais de uma esteja envolvida ao mesmo tempo. É por isso que exames de imagem sozinhos costumam explicar pouco: alterações de disco e de articulação aparecem com frequência em pessoas que não sentem dor nenhuma, e a presença delas não significa necessariamente que sejam a origem do sintoma.
Na prática clínica, a dor lombar costuma ser separada por tempo de duração:
- Aguda, quando dura até seis semanas. É a forma mais comum e a que mais costuma melhorar sozinha.
- Subaguda, entre seis e doze semanas.
- Crônica, quando passa de doze semanas. Aqui o quadro costuma envolver mais fatores além do tecido em si, como sono, nível de atividade física, estresse e medo de se movimentar.
Essa separação importa porque o acompanhamento tende a ser diferente em cada fase, e porque a expectativa de tempo também muda.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que aparecem com mais frequência na avaliação são:
- Sobrecarga mecânica. Levantar peso de forma repetida, ou uma única vez de forma inesperada, com o corpo despreparado para aquilo.
- Pouca movimentação. Longos períodos sentado, especialmente sem pausas, são associados a episódios de dor lombar.
- Mudança brusca de rotina. Voltar a treinar depois de meses parado, uma mudança de casa, uma viagem longa.
- Baixo condicionamento da musculatura do tronco e do quadril, que faz a região lombar assumir demanda que deveria ser distribuída.
- Sono ruim e estresse prolongado, que influenciam a percepção de dor e a recuperação.
- Alterações estruturais, como hérnia de disco ou artrose, que podem contribuir mas raramente explicam o quadro sozinhas.
Vale dizer o que normalmente não está na lista, porque é fonte de muita angústia: uma postura imperfeita não é, por si só, causa de dor lombar. A ideia de que existe uma única forma correta de sentar ou de levantar peso não se sustenta bem, e a variedade de posições ao longo do dia costuma ser mais relevante que a busca por uma postura ideal.
Quando procurar atendimento
A maior parte dos episódios não exige investigação imediata. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar, e é importante conhecê-los:
- Dor depois de queda, acidente ou trauma direto
- Febre junto com a dor
- Perda de força na perna ou no pé, ou dormência que aumenta
- Dificuldade para controlar urina ou intestino
- Perda de peso sem explicação
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
- Histórico de câncer, de osteoporose ou uso prolongado de corticoide
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando ela volta com frequência, ou quando atrapalha o trabalho, o sono ou as atividades do dia a dia.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta conversa sobre o histórico, o que piora e o que alivia, e observa como a pessoa se movimenta: como levanta da cadeira, como agacha, como caminha. Essa parte costuma ser a mais demorada da primeira sessão, e é o que orienta todo o resto.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve exercício progressivo, ajustado ao que a pessoa consegue fazer naquele momento e aumentado com o tempo. A escolha específica varia conforme o caso, o que é exatamente o motivo de esta página não listar exercícios: um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro. Entender que dor nem sempre significa lesão, e que o movimento costuma fazer parte da recuperação em vez de atrapalhá-la, tem efeito documentado sobre o resultado. Boa parte do trabalho é devolver confiança para se mover.
Recursos como terapia manual, eletroterapia e calor costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O que se pode dizer é o comportamento geral: episódios agudos costumam melhorar de forma importante em algumas semanas, e quadros crônicos costumam exigir acompanhamento mais longo, com melhora gradual e possibilidade de oscilações pelo caminho.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Repouso ajuda na dor lombar?
Repouso absoluto prolongado costuma atrapalhar mais do que ajudar. A orientação geral, hoje, é manter a atividade possível dentro do conforto e retomar a rotina de forma gradual. Isso não quer dizer ignorar a dor, e sim evitar a imobilidade completa.
Exame de imagem é necessário?
Na ausência dos sinais de alerta listados acima, o exame costuma não mudar a conduta nas primeiras semanas. Quem decide isso é o médico, a partir da avaliação.
Fisioterapia dói?
O acompanhamento não deveria ser marcado por dor intensa. Algum desconforto durante o movimento pode acontecer e costuma ser conversado ao longo das sessões. Se algo dói muito, isso precisa ser dito ao profissional na hora.
Pilates e musculação substituem a fisioterapia?
São coisas diferentes. Atividade física orientada costuma fazer parte da vida de quem teve dor lombar, e a fisioterapia é um acompanhamento clínico com avaliação individual. Em geral uma coisa vem depois da outra, e quem indica o momento é o profissional que acompanha o caso.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quadros com envolvimento de nervo podem ser acompanhados junto com outras áreas, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
As 12 cidades com mais clínicas no diretório. A lista de cada cidade mostra as clínicas de fisioterapia com CNPJ ativo, bairro a bairro. Para outra cidade, busque pelo nome.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
Veja o aviso sobre conteúdo de saúde e a política editorial.