Resposta direta
AVC, sigla de acidente vascular cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue em uma parte do cérebro, seja porque um vaso entupiu, o tipo isquêmico, seja porque um vaso se rompeu, o tipo hemorrágico. A área atingida para de funcionar, e daí vêm os sinais súbitos do quadro: um lado do corpo que fraqueja, a boca que entorta, a fala que embola. Se algum desses sinais estiver acontecendo agora, ligue 192 e procure o pronto atendimento sem esperar passar. No AVC, o tempo até o socorro é o fator que mais muda o que vem depois.
Passada a fase aguda, o AVC deixa de ser um evento e passa a ser um percurso de reabilitação, que costuma envolver mais de um profissional e se estender por meses. A fisioterapia neurofuncional é uma das áreas que acompanham essa fase. Em geral o fisioterapeuta avalia o que a pessoa consegue fazer hoje e o que ela precisa para o dia a dia, e monta o acompanhamento a partir disso. O que entra varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é o AVC
O cérebro não tem reserva de oxigênio. Quando o sangue para de chegar a uma região, as células dali deixam de funcionar em minutos, e é por isso que o AVC é um evento de instalação súbita, e não algo que se arma devagar.
Existem dois tipos, e eles têm causas diferentes:
- AVC isquêmico, que é a maior parte dos casos. Um coágulo ou uma placa obstrui a artéria e interrompe a circulação ali.
- AVC hemorrágico, quando um vaso se rompe e o sangue extravasa dentro do crânio. Costuma vir com dor de cabeça intensa e súbita.
Existe ainda o ataque isquêmico transitório, em que os sinais somem em pouco tempo. Sumir sozinho não é alívio: é aviso, e pede a mesma pressa.
O que fica depois depende de qual área do cérebro foi atingida e de quanto dela foi atingida, e é por isso que dois casos com o mesmo nome podem ser tão diferentes. Entre as repercussões mais frequentes estão a perda de força de um lado do corpo, a alteração de tônus muscular, a dificuldade para falar ou para entender, a dificuldade para engolir e a alteração de equilíbrio e de sensibilidade. A Organização Mundial da Saúde descreve o AVC como uma das principais causas de incapacidade no mundo, o que ajuda a explicar o espaço que a reabilitação ocupa nos serviços de saúde.
O que costuma causar
O AVC não tem causa única, e sim um conjunto de fatores que aumentam a chance de ele acontecer:
- Pressão alta não controlada, o fator associado com mais consistência aos dois tipos.
- Diabetes e alterações de colesterol, que afetam a parede dos vasos ao longo dos anos.
- Tabagismo e consumo elevado de álcool.
- Fibrilação atrial e outras arritmias, que favorecem coágulos que viajam até o cérebro.
- Sedentarismo, obesidade e alimentação com muito sal.
- Idade mais avançada e histórico familiar, que não se mudam, mas pesam na conta junto com os demais.
Ter fatores de risco não significa que o AVC vá acontecer, e não tê-los não afasta a possibilidade. O controle deles é conduta médica e segue importando depois do evento, porque quem já teve um AVC passa a ser acompanhado para reduzir a chance de um segundo.
Quando procurar atendimento
Estes são sinais de urgência. Se qualquer um deles começar de forma súbita, ligue 192 e vá ao pronto atendimento imediatamente, mesmo que o sinal pareça leve ou esteja melhorando:
- Rosto: um lado da boca ou do olho caído, sorriso torto
- Braço: fraqueza ou dormência súbita de um braço ou de uma perna, em geral de um lado só
- Fala: fala embolada, palavra trocada, dificuldade súbita de entender o que dizem
- Visão: perda súbita de visão de um olho ou de metade do campo visual
- Equilíbrio: tontura intensa e súbita com perda de equilíbrio ou queda
- Dor de cabeça de início súbito e intensidade fora do comum, às vezes com vômito
Anote a hora em que o primeiro sinal apareceu e diga essa hora à equipe. Não espere para ver se passa e não dê comida, água ou remédio à pessoa, porque a deglutição pode estar comprometida.
Já na fase de reabilitação, procurar avaliação faz sentido diante de quedas, engasgos frequentes, dor no ombro do lado afetado ou perda de uma tarefa que vinha sendo possível. Qualquer sinal novo e súbito volta a ser urgência.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta observa força, tônus, sensibilidade, equilíbrio sentado e em pé, e como a pessoa faz as transferências do dia: virar na cama, sentar, levantar da cadeira, caminhar se já caminha. Também conversa sobre a casa, sobre quem ajuda e sobre o que a pessoa quer voltar a fazer, porque o objetivo sai daí e não de um protocolo pronto.
A segunda é o movimento. Envolve repetição de tarefas funcionais, treino de equilíbrio e de marcha, cuidado com o membro afetado e orientação de posicionamento, com demanda ajustada ao que a pessoa consegue naquele momento. Esta página não indica exercício: o que ajuda alguém com pouco controle de tronco pode ser inadequado para quem já caminha.
A terceira é a orientação de quem convive. Boa parte da reabilitação acontece fora da sala de atendimento, e familiares costumam receber orientação sobre transferências, posicionamento e prevenção de quedas.
O AVC costuma ser acompanhado por uma equipe: fonoaudiologia quando há alteração de fala ou de deglutição, terapia ocupacional, enfermagem e a condução médica.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. A literatura descreve, em termos gerais, que as mudanças mais perceptíveis costumam acontecer nos primeiros meses depois do evento e que ganhos funcionais podem seguir aparecendo depois disso, de forma mais lenta. O ritmo varia conforme o caso, e depende do tipo de AVC, da área atingida, das condições de saúde associadas e do apoio que a pessoa tem em casa.
O número de sessões também varia conforme o caso, e depende da fase, do objetivo da pessoa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Boa parte da reabilitação pós-AVC no Brasil é feita pela rede pública, e o caminho costuma começar na unidade básica de saúde ou na própria alta hospitalar, com encaminhamento para o serviço de reabilitação da região: por isso vale entender como funciona a fisioterapia pelo SUS antes de supor que só existe a via particular. Sobre valores no atendimento privado, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia.
Perguntas frequentes
Quando a reabilitação costuma começar?
Em geral ainda no hospital, assim que a equipe considera o quadro estável, e segue depois da alta em serviço ambulatorial ou domiciliar. Quem define o momento é a equipe que acompanha o caso.
A pessoa vai precisar de fisioterapia para sempre?
Varia conforme o caso. Há situações em que o acompanhamento é intenso por um período e depois passa a periódico, e outras em que ele segue contínuo para manutenção. Isso é revisto em reavaliações, e não definido no começo.
Atendimento em casa serve?
Serve em muitas situações, em especial quando a locomoção é difícil, e tem limitações de equipamento e espaço. A escolha costuma ser conversada com o profissional.
O aumento de rigidez tem o que fazer?
A espasticidade é frequente depois do AVC. A fisioterapia trabalha mobilidade e posicionamento, e condutas medicamentosas, quando entram, são decisão médica.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maioria dos casos, a fisioterapia neurofuncional. Quando há alteração importante de equilíbrio, o acompanhamento pode ser feito junto com outras áreas, conforme a avaliação.
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Especialidade: Fisioterapia neurofuncional
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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