Resposta direta
Paralisia cerebral é o nome dado a um conjunto de alterações permanentes do movimento e da postura que vêm de uma lesão ocorrida no cérebro em desenvolvimento, na gestação, no parto ou nos primeiros anos de vida. A lesão em si não aumenta com o tempo: ela aconteceu uma vez. O que muda ao longo dos anos é o corpo que cresce sobre ela, e é por isso que as necessidades de uma criança aos dois anos são diferentes das dela aos dez.
O acompanhamento costuma ser longo e envolver mais de um profissional, e a fisioterapia neurofuncional é uma das áreas que participam. Em geral o fisioterapeuta avalia o que a criança ou o adulto consegue fazer hoje, como faz, de que apoio precisa e o que é importante para a rotina daquela família, e constrói o acompanhamento a partir disso. O que entra varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a paralisia cerebral
O termo descreve um grupo de quadros, não uma doença única. O que eles têm em comum é a origem: uma lesão no cérebro em formação, que afeta a forma como os comandos de movimento são produzidos e ajustados. A repercussão depende de qual área foi afetada e de quanto foi afetado, e varia de uma alteração discreta na marcha até a necessidade de apoio em todas as atividades.
Costuma ser descrita por tipo de alteração de tônus e de controle:
- Espástica, a forma mais frequente, com aumento de tônus e resistência ao movimento.
- Discinética, com movimentos involuntários e variação de tônus.
- Atáxica, com alteração de coordenação e de equilíbrio.
- Mista, quando há combinação dessas características.
Também se descreve pela parte do corpo envolvida, como um lado só, as duas pernas ou os quatro membros. Além disso, existem classificações funcionais que agrupam por nível de mobilidade e de uso das mãos. Elas servem para os profissionais falarem a mesma língua e para organizar o cuidado, e não são um destino escrito: descrevem como a pessoa funciona num momento.
Junto com a parte motora podem aparecer outras condições, como epilepsia, alterações de visão ou audição, dificuldade de comunicação, alterações de aprendizagem e dificuldade para se alimentar. Podem aparecer, e não aparecem sempre, e a presença de uma não implica a das outras.
O que costuma causar
Em boa parte dos casos não se identifica uma causa única, e sim fatores que se somam. Os mais citados são:
- Prematuridade e baixo peso ao nascer, entre os fatores mais associados.
- Redução de oxigênio ou de fluxo sanguíneo para o cérebro do bebê, na gestação ou no parto.
- Infecções na gestação ou no período neonatal, incluindo infecções do sistema nervoso no bebê.
- Icterícia grave não tratada no recém-nascido.
- Alterações de formação do cérebro, nem sempre com causa identificável.
- Traumatismo craniano ou parada cardiorrespiratória nos primeiros anos.
Vale dizer, porque essa dúvida aparece muito e pesa: na maior parte dos casos não há um erro de alguém por trás do quadro, e o esforço de encontrar um culpado costuma tomar energia que faria mais diferença no acompanhamento.
Quando procurar atendimento
Na primeira infância, procurar avaliação faz sentido quando se observa:
- Atraso persistente nos marcos do desenvolvimento, como sustentar a cabeça, sentar, engatinhar ou andar
- Assimetria constante, com um lado do corpo usado muito mais que o outro, ou preferência clara de mão antes de um ano
- Corpo muito rígido ou muito mole ao colo, de forma persistente
- Dificuldade para sugar, mamar ou engolir
- Mãos que permanecem fechadas com força depois dos primeiros meses
Alguns sinais pedem avaliação sem esperar, em qualquer idade:
- Crise convulsiva
- Engasgo frequente, pneumonia de repetição ou perda de peso
- Perda de uma habilidade que já estava consolidada, porque a lesão da paralisia cerebral não é progressiva e regressão pede investigação de outra causa
- Dor persistente, em especial no quadril, ou piora rápida da postura
Quanto mais cedo a criança é avaliada, mais cedo entram o acompanhamento e as orientações, num período em que o sistema nervoso está em plena formação.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta observa tônus, amplitude, controle de tronco, postura sentada e em pé, marcha quando existe, e sobretudo como a pessoa realiza as tarefas reais do dia: comer, se vestir, se deslocar, brincar, ir à escola. Também acompanha o crescimento, porque o quadril e a coluna pedem atenção específica ao longo dos anos.
A segunda é o movimento. Em linhas gerais, o trabalho é organizado em torno de tarefas funcionais e, com crianças, em boa parte por meio da brincadeira, com atenção a posicionamento, amplitude e prevenção de deformidade. Órteses, cadeiras e outros recursos de adequação postural costumam entrar em conjunto com a equipe. Esta página não indica exercício nem alongamento: o que é adequado para um quadro espástico pode não ser para um discinético, e dentro do mesmo tipo ainda varia conforme o caso.
A terceira é a orientação da família. O que acontece nas demais horas do dia pesa mais do que o tempo de atendimento, e por isso posicionamento em casa, transporte, adaptações e rotina fazem parte do acompanhamento.
O cuidado costuma ser de equipe, com terapia ocupacional, fonoaudiologia, nutrição, a condução médica e o acompanhamento ortopédico, além da escola.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O acompanhamento costuma ser de longo prazo, acompanhando o desenvolvimento, com períodos mais intensos, como fases de crescimento rápido ou o pós-operatório, e períodos de manutenção. Na vida adulta ele não desaparece: muda de foco, com mais atenção a dor, mobilidade e independência possível.
O número de sessões varia conforme o caso, e depende da idade, do objetivo do momento e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Boa parte do cuidado em paralisia cerebral no Brasil acontece pela rede pública, com encaminhamento da unidade básica para serviços de reabilitação, e há também instituições conveniadas que atendem pelo mesmo caminho: por isso vale entender como funciona a fisioterapia pelo SUS antes de supor que só existe a via particular. Sobre valores no atendimento privado, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia.
Perguntas frequentes
A paralisia cerebral piora com o tempo?
A lesão não aumenta. O que pode mudar com o crescimento são as repercussões sobre o corpo, como encurtamentos e alterações de quadril e coluna, e é exatamente isso que o acompanhamento procura observar de perto.
Toda criança com paralisia cerebral tem alteração de aprendizagem?
Não. A parte motora e a parte cognitiva podem estar comprometidas em graus muito diferentes, e há pessoas com limitação motora importante e nenhuma alteração de aprendizagem. Cada dimensão é avaliada separadamente.
Quando o acompanhamento costuma começar?
Em geral assim que há suspeita, sem esperar um diagnóstico fechado, porque os primeiros anos são um período de grande formação do sistema nervoso. Quem define o momento é a equipe que acompanha.
Adulto com paralisia cerebral ainda faz fisioterapia?
Sim, e é uma parte esquecida do cuidado. As queixas mudam, com mais peso para dor, fadiga e manutenção da mobilidade, e o acompanhamento costuma ser ajustado a isso.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maioria dos casos, a fisioterapia neurofuncional. Conforme o quadro, pode haver acompanhamento junto com outras áreas, como a respiratória.
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Especialidade: Fisioterapia neurofuncional
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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