Resposta direta
Esclerose múltipla é uma condição em que o próprio sistema de defesa do corpo ataca a bainha de mielina, a camada que reveste os nervos do cérebro e da medula e faz os sinais elétricos correrem rápido. Onde a mielina é lesada, a comunicação fica mais lenta ou falha, e o sintoma que aparece depende do ponto atingido: pode ser alteração de visão, formigamento, fraqueza, desequilíbrio, fadiga intensa ou alteração de bexiga. É por isso que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter queixas completamente diferentes.
A condução do quadro é médica, feita em geral pelo neurologista, e a fisioterapia neurofuncional costuma entrar junto, tanto nos períodos estáveis quanto depois de um surto. Em geral o fisioterapeuta avalia equilíbrio, força, marcha, fadiga e o que está atrapalhando a rotina naquele momento, e monta o acompanhamento a partir disso. O que entra varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a esclerose múltipla
O nome descreve o que se vê no exame de imagem: áreas endurecidas, as placas, espalhadas em mais de um ponto do sistema nervoso central. Não é uma doença dos músculos, e não é a mesma coisa que esclerose lateral amiotrófica, que é outra condição, com outro mecanismo e outro curso.
O quadro costuma ser descrito por padrão de evolução:
- Surto e remissão, a forma mais comum no diagnóstico inicial. Períodos em que um sintoma novo aparece e se instala por dias ou semanas, seguidos de períodos de estabilidade, com recuperação que pode ser total ou parcial.
- Formas progressivas, em que a limitação avança de maneira mais contínua, com ou sem surtos ao longo do caminho.
Entre os sintomas mais frequentes estão a fadiga, que é a queixa mais relatada e a menos compreendida por quem está de fora, a alteração de visão em um olho, o formigamento e a alteração de sensibilidade, a fraqueza, a espasticidade, o desequilíbrio, as alterações de bexiga e intestino e a dificuldade de concentração. O diagnóstico é médico e combina história clínica, exame neurológico e exames complementares.
O que costuma causar
A origem não está completamente esclarecida, e o que existe é um conjunto de fatores associados, nenhum deles suficiente sozinho:
- Predisposição genética, que aumenta a chance sem determinar nada. A condição não é considerada hereditária no sentido simples do termo.
- Infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr, o fator ambiental com associação mais consistente na literatura.
- Níveis baixos de vitamina D e pouca exposição solar, o que ajuda a explicar a maior frequência em regiões distantes do equador.
- Tabagismo, associado tanto ao risco quanto a uma evolução menos favorável.
- Sexo e idade: o diagnóstico é mais frequente em mulheres e costuma acontecer entre os 20 e os 40 anos.
Nada disso é causa no sentido de culpa. Ter todos os fatores não significa desenvolver a condição, e não ter nenhum não a afasta.
Quando procurar atendimento
Procurar avaliação médica faz sentido quando aparece um sintoma neurológico novo que persiste por mais de um dia, como:
- Perda ou embaçamento de visão em um olho, muitas vezes com dor ao mover o olho
- Formigamento ou dormência que se espalha por uma região do corpo
- Fraqueza em um braço ou uma perna
- Desequilíbrio, tontura persistente ou visão dupla
- Alteração de controle urinário
Alguns sinais pedem atendimento sem esperar:
- Fraqueza ou alteração de fala de início súbito, em minutos, porque isso levanta a suspeita de outro quadro, como o AVC, e tempo importa ali
- Incapacidade de urinar ou perda do controle do intestino
- Febre ou infecção junto com piora dos sintomas, situação em que a piora pode ser temporária e ligada à infecção, e não um surto
- Piora rápida e importante da marcha em poucos dias
Quem já tem diagnóstico costuma ter orientação da equipe sobre o que fazer diante de um sintoma novo, e essa orientação vale mais do que qualquer lista genérica.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta mede força, tônus, equilíbrio, coordenação e marcha, e investiga fadiga com atenção, porque ela é frequente, oscila ao longo do dia e muda tudo o que se pode propor. Também levanta histórico de quedas e o que a pessoa precisa fazer na rotina, que é o que define o objetivo.
A segunda é o movimento. Em linhas gerais, o acompanhamento envolve exercício com dose ajustada, treino de equilíbrio e de marcha e trabalho sobre a espasticidade quando ela atrapalha, com atenção ao ritmo: aqui a progressão é conduzida observando fadiga e tolerância ao calor, já que o calor costuma acentuar sintomas de forma temporária em parte das pessoas. Esta página não indica exercício: o que é adequado num período estável pode não ser logo depois de um surto, e a dose é o ponto mais delicado do acompanhamento.
A terceira é a educação sobre o quadro. Aprender a distribuir energia ao longo do dia, reconhecer o padrão da própria fadiga e organizar tarefas é parte central do trabalho, e costuma ter efeito prático maior do que qualquer recurso isolado.
O cuidado tende a ser de equipe, com a condução médica, terapia ocupacional, fonoaudiologia quando há alteração de fala ou deglutição, e apoio de psicologia, já que o impacto emocional do diagnóstico é parte do quadro.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O acompanhamento costuma ser de longo prazo e organizado por fases: períodos de manutenção, em que o foco é condicionamento e mobilidade, e períodos de reabilitação mais intensa depois de um surto, quando alguma função foi afetada.
A evolução varia muito de pessoa para pessoa, e essa variação não é falta de informação: é a característica da condição. Por isso o acompanhamento é revisto periodicamente em vez de ser planejado de uma vez só, e por isso números gerais de evolução dizem pouco sobre um caso específico.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
A fadiga da esclerose múltipla é cansaço comum?
Não. Ela costuma ser descrita como desproporcional ao esforço e não melhora apenas com repouso, o que a torna difícil de explicar para quem está de fora. Ela é considerada um sintoma do quadro e entra na avaliação como tal.
Exercício faz mal para quem tem esclerose múltipla?
Não é o que a literatura descreve. Atividade física orientada aparece como parte do cuidado, com atenção à dose, à fadiga e ao calor. O tipo e a intensidade são ajustados pelo profissional que acompanha o caso.
O calor piora mesmo os sintomas?
Em parte das pessoas, sim, e de forma temporária: o sintoma acentua enquanto a temperatura corporal está mais alta e tende a voltar ao padrão depois. Isso não significa piora da condição, e costuma ser contornado com ajustes simples de horário e ambiente.
Quem tem esclerose múltipla vai precisar de cadeira de rodas?
Não há como responder isso a partir do diagnóstico, e quem responde está adivinhando. A evolução varia muito, os recursos de apoio quando entram são ferramentas de autonomia, e o que existe de concreto é a reavaliação ao longo do tempo com a equipe que acompanha o caso.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maioria dos casos, a fisioterapia neurofuncional. Queixas persistentes de equilíbrio e tontura podem ser acompanhadas junto com outras áreas, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia neurofuncional
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
As 12 cidades com mais clínicas no diretório. A lista de cada cidade mostra as clínicas de fisioterapia com CNPJ ativo, bairro a bairro. Para outra cidade, busque pelo nome.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
Veja o aviso sobre conteúdo de saúde e a política editorial.