Resposta direta
Tendinite de aquiles é o nome popular para a dor no tendão calcâneo, o cordão grosso que liga a panturrilha ao osso do calcanhar, logo atrás do tornozelo. O sintoma clássico é uma dor bem localizada nesse cordão, junto com rigidez nos primeiros passos da manhã, que costuma afrouxar depois de alguns minutos de caminhada. Aparece muito em corrida de rua e em quem voltou a treinar depois de um tempo parado.
O termo usado hoje na literatura é tendinopatia do calcâneo, porque o que se observa no tecido costuma ser menos um processo inflamatório clássico e mais uma alteração estrutural ligada a sobrecarga repetida. Em geral o fisioterapeuta avalia a carga de treino das últimas semanas, a tolerância da panturrilha e o local exato da dor, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a tendinite de aquiles
O tendão calcâneo é o mais espesso do corpo e o que recebe as maiores cargas: ele transmite a força da panturrilha para o pé toda vez que alguém impulsiona o corpo, e em corrida lida com várias vezes o peso corporal a cada passada. A queixa costuma nascer de um desencontro entre a carga aplicada e a capacidade que o tendão tinha naquele momento.
Uma distinção muda o que se espera do acompanhamento, e por isso aparece já na avaliação: onde dói no tendão.
- Porção média. A dor fica alguns centímetros acima do calcanhar, no meio do cordão. É a forma mais comum em corredores, e costuma vir com um espessamento sensível ao toque.
- Inserção. A dor fica bem embaixo, onde o tendão se prende ao osso. Essa forma é mais sensível à compressão: piora em situações que encostam o tendão contra o osso, como subida e sapato de contraforte rígido.
Duas características ajudam a reconhecer o quadro. A primeira é a rigidez matinal no tendão, que melhora com movimento e volta depois de um tempo parado. A segunda é o comportamento atrasado da dor: ela pode aparecer no começo do treino, sumir durante o aquecimento e voltar mais forte horas depois. Isso engana: quem julga o treino pelo que sentiu durante ele tende a aumentar carga demais. Quando o incômodo é na sola do pé, e não atrás, o quadro costuma envolver outra estrutura, descrita em fascite plantar.
O que costuma causar
Não existe causa única. Os fatores mais frequentes na avaliação são:
- Aumento rápido de volume ou de intensidade, especialmente de tiros e de subida, que é o fator mais citado.
- Retomada depois de uma pausa, quando a pessoa volta ao mesmo nível em que parou sem reconstruir capacidade.
- Mudança de calçado, sobretudo de altura do calcanhar, que muda a demanda sobre a inserção.
- Pouca recuperação entre sessões, com treinos pesados em dias seguidos.
- Baixa força e pouca tolerância da panturrilha, que transfere para o tendão demanda que deveria ser dividida.
- Sono ruim, estresse prolongado e alta carga competitiva.
- Histórico de uso de certos antibióticos e de corticoide, que o médico considera por estar associado a maior sensibilidade do tendão.
O que costuma não ajudar é o repouso absoluto prolongado. Tendão sem estímulo perde capacidade de carga, e a volta à atividade tende a reproduzir o sintoma. Na maioria dos casos o manejo passa por ajustar a carga, não por zerá-la.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Estalo alto atrás da perna, com sensação de ter levado um chute, seguido de perda de força
- Incapacidade de ficar na ponta do pé ou de impulsionar o corpo com aquele pé
- Falha ou afundamento palpável no trajeto do tendão
- Inchaço que aparece nas primeiras horas depois de um esforço intenso
- Tendão quente, vermelho e inchado, principalmente com febre
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
- Dor atrás do calcanhar em criança ou adolescente em crescimento
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta sempre que o treino aumenta, ou quando aparece em tarefas simples como subir escada.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta levanta o histórico de treino das últimas semanas, localiza a dor na porção média ou na inserção, testa força e tolerância da panturrilha e registra como a rigidez matinal se comporta ao longo dos dias. Essa leitura de 24 horas costuma guiar a progressão.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve exercício progressivo de força para o tendão e para a perna inteira, com exigência crescente ao longo de semanas, junto ao ajuste da carga de treino.
Esta página não traz lista de exercício nem de alongamento para tendinite de aquiles, e vale explicar por quê. Aqui há uma armadilha específica: a receita mais repetida na internet manda alongar o tendão e descer o calcanhar abaixo do degrau. Numa dor de inserção, esse mesmo movimento é justamente o que comprime o tendão contra o osso, e costuma aumentar o sintoma, enquanto numa dor de porção média ele pode ser bem tolerado. A mesma orientação tem efeitos opostos conforme o lugar da dor, algo que nenhuma lista pronta consegue distinguir. Somado a isso vem a dose: quanto peso, quantas repetições e quantas vezes por semana, definidos a partir do que aquele tendão tolera hoje e reavaliados a cada semana. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro: entender a resposta atrasada da dor, distribuir treino ao longo da semana e aceitar que a melhora de um tendão costuma ser lenta e não linear. Recursos como terapia manual e calcanheira aparecem como apoio, não como centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: tendinopatias costumam responder devagar, ao longo de semanas a meses, e quadros antigos tendem a exigir mais tempo. A forma de inserção costuma ser descrita como mais lenta que a de porção média, e oscilações fazem parte do caminho.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Preciso parar de correr?
Parada total costuma não ser o caminho, porque o tendão perde capacidade de carga quando fica sem estímulo. O que se costuma ajustar é o volume, a intensidade e o terreno, e esse ajuste sai da avaliação.
Alongar a panturrilha ajuda ou atrapalha?
Depende de onde dói, e é por isso que a orientação genérica falha aqui. Em dor na inserção, o alongamento que desce muito o calcanhar tende a comprimir a região; em dor na porção média, costuma ser mais bem tolerado. Quem faz essa distinção é quem examina o tendão.
Tendinite de aquiles é a mesma coisa que tendinopatia?
São nomes para o mesmo território. O termo tendinopatia é preferido hoje porque descreve melhor o que se encontra no tecido.
Infiltração é uma opção?
Essa é uma decisão médica, e não de fisioterapia. Vale registrar que a conduta costuma ser discutida com cautela nessa região, e que medicação pode reduzir o sintoma sem alterar a capacidade do tendão.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Quando a queixa está ligada a treino, corrida ou competição, a fisioterapia esportiva é a área que costuma conduzir o caso, inclusive no retorno à prática. Em contexto não esportivo, pode ser feito por outras áreas.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia esportiva
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
As 12 cidades com mais clínicas no diretório. A lista de cada cidade mostra as clínicas de fisioterapia com CNPJ ativo, bairro a bairro. Para outra cidade, busque pelo nome.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
Veja o aviso sobre conteúdo de saúde e a política editorial.