Resposta direta
Labirintite, no sentido exato da palavra, é a inflamação do labirinto, a estrutura da orelha interna que cuida ao mesmo tempo da audição e do equilíbrio. Quando ela acontece de verdade, costuma vir com vertigem intensa e contínua por horas ou dias, náusea e alguma alteração de audição, como perda auditiva ou zumbido, quase sempre depois de um quadro viral. Assim descrita, não é uma condição frequente.
No dia a dia brasileiro, porém, labirintite virou o nome que se dá a qualquer tontura, e isso não é erro de ninguém: é o vocabulário que se firmou, inclusive em consultório. Vale saber que, na maioria dos casos, o que está por trás da queixa é outro quadro, e com frequência a vertigem posicional. Separar um do outro muda o que se faz depois, e quem faz essa separação é o profissional que avalia. Em geral o fisioterapeuta avalia o tipo de tontura, o tempo de cada crise, o que a desencadeia e como está o equilíbrio, e o acompanhamento varia conforme o caso. Nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a labirintite
O labirinto tem duas funções que andam juntas dentro do mesmo osso. Uma parte, a cóclea, cuida da audição. A outra, formada pelos canais semicirculares e por duas pequenas câmaras, informa ao cérebro a posição e o movimento da cabeça. É essa informação, cruzada com a visão e com o que vem dos músculos e articulações, que produz a sensação de estar em pé e estável.
Quando o labirinto inflama, as duas funções costumam ser afetadas ao mesmo tempo. Daí o par que caracteriza o quadro: vertigem e alteração auditiva juntas. Uma condição vizinha, a neurite vestibular, atinge o nervo que leva a informação de equilíbrio e produz vertigem parecida, só que sem sintoma auditivo.
A parte que mais confunde é que várias outras coisas produzem tontura, e é por isso que o nome único atrapalha. Entre as origens mais comuns estão:
- Vertigem posicional, em que cristais deslocados dentro do labirinto provocam crises curtas ligadas a mudanças de posição da cabeça.
- Doença de Ménière, com crises de vertigem acompanhadas de zumbido, sensação de ouvido cheio e perda auditiva flutuante.
- Migrânea vestibular, em que a tontura acompanha o quadro de enxaqueca.
- Queda de pressão ao levantar, alterações do ritmo do coração e efeito de medicamentos.
- Origem cervical, quando a tontura vem junto com dor cervical e piora com movimento do pescoço.
- Ansiedade e crises de pânico, que produzem tontura real, e não imaginada.
Cada uma dessas origens pede uma conduta diferente, e é por isso que a avaliação vem antes de qualquer coisa.
O que costuma causar
Quando se trata de labirintite propriamente dita, os fatores mais citados são:
- Infecção viral recente, de vias aéreas ou do próprio ouvido, que é a situação mais frequente.
- Infecção bacteriana, bem menos comum, em geral como complicação de otite média, e que pede condução médica específica.
- Alterações de imunidade ou processos inflamatórios sistêmicos, em situações mais raras.
- Trauma na cabeça ou no ouvido, e algumas cirurgias otológicas.
Há ainda fatores que não causam o quadro, mas costumam agravar a tontura de qualquer origem: noites mal dormidas, desidratação, consumo alto de cafeína ou álcool, períodos de estresse prolongado e uso de vários medicamentos ao mesmo tempo.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem atendimento imediato, porque a tontura pode estar sinalizando outra coisa:
- Tontura junto com fala alterada, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, boca torta ou visão dupla, que levanta a suspeita de AVC e é urgência
- Dor de cabeça de início súbito e muito intensa
- Perda auditiva súbita em um ouvido
- Desequilíbrio que impede a pessoa de ficar em pé ou andar
- Febre alta com dor de ouvido ou secreção
- Tontura depois de trauma na cabeça
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido no primeiro episódio, para que a origem seja identificada, e também quando a tontura se repete, dura semanas, aumenta o medo de sair de casa ou já provocou queda. O diagnóstico é médico, e a fisioterapia entra a partir dele.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta investiga como é a tontura: se gira ou se é sensação de desmaio, quanto tempo dura, o que desencadeia, se há zumbido ou perda auditiva, se há relação com movimento da cabeça ou do pescoço. Observa também o equilíbrio em diferentes condições e a estabilidade do olhar durante o movimento, que é onde as alterações do sistema vestibular costumam aparecer.
A segunda é o movimento. A reabilitação vestibular trabalha a capacidade do cérebro de se reorganizar quando a informação de um lado está alterada, algo que depende de exposição gradual ao movimento. Esta página não indica exercício nem manobra: o que serve para uma tontura por inflamação do labirinto é diferente do que serve para cristais deslocados, e aplicar o errado costuma piorar o sintoma sem que a pessoa entenda por quê. Quem define isso é quem examinou.
A terceira é a educação sobre o quadro. Uma orientação aparece de forma consistente na literatura e contraria o instinto: repouso prolongado e evitar todo movimento tendem a atrasar a adaptação do sistema de equilíbrio. Retomar atividade de forma gradual, dentro do que é tolerado, costuma fazer parte do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral descrito é de uma fase aguda intensa, de alguns dias, seguida de um período em que a tontura vai diminuindo enquanto o sistema de equilíbrio se adapta, o que costuma levar semanas. Em parte dos casos fica uma insegurança residual em ambientes movimentados, que é justamente o alvo do acompanhamento.
Quando a tontura tem outra origem, o tempo é outro. Vertigem posicional e tontura de origem cervical, por exemplo, seguem cursos diferentes, e é mais um motivo pelo qual a avaliação vem antes.
O número de sessões varia conforme o caso. Ele depende da origem da tontura, do tempo de queixa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Toda tontura é labirintite?
Não, e essa é a confusão mais comum do tema. Labirintite descreve um quadro específico, com sintoma auditivo junto, enquanto tontura é um sintoma que tem várias origens possíveis, entre elas a vertigem posicional, que é bem mais frequente.
Tontura pode vir do pescoço?
Pode. Quando há dor cervical associada, com piora ao movimentar o pescoço e sem sintoma auditivo, essa origem entra na avaliação. Ela não exclui as outras, e às vezes mais de uma coisa acontece ao mesmo tempo.
Remédio para tontura serve para quê?
Medicamentos supressores costumam ser usados por curto período na fase mais intensa, para dar alívio. A decisão é médica, e o uso prolongado tende a atrapalhar a adaptação do sistema de equilíbrio, o que é um dos motivos de o acompanhamento não se apoiar só neles.
Posso fazer exercício de equilíbrio em casa?
Exercícios costumam fazer parte do acompanhamento e são orientados depois da avaliação, porque a escolha depende do que foi encontrado. Vídeos genéricos não sabem qual é a origem da sua tontura, e é aí que mora o risco.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
A fisioterapia vestibular, que é a área dedicada às alterações de equilíbrio. Conforme o caso, o acompanhamento pode ser feito junto com a otorrinolaringologia.
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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