Resposta direta
Pós-operatório de quadril é o período de recuperação depois de uma cirurgia nessa articulação, e reúne situações bastante diferentes: prótese por artrose, fixação de fratura do fêmur perto do quadril e artroscopia para tratar impacto femoroacetabular ou lesão do labrum. O quadril tem uma particularidade que muda tudo na recuperação: é a articulação que sustenta o peso do corpo a cada passo, e por isso a forma como a pessoa caminha entra na conta desde o primeiro dia.
A folha de orientações que saiu com a pessoa na alta é o documento que vale aqui, e ela vem do cirurgião que operou. Cada técnica tem restrições próprias, e elas não são intercambiáveis: uma via de acesso pode pedir cuidados de posição que outra não pede, e um tipo de fixação pode permitir apoio que outro não permite. Esta página explica o processo em linhas gerais, para que a pessoa entenda o que está acontecendo e converse melhor com a equipe. Ela não tem acesso ao caso de ninguém, e nenhuma orientação genérica encontrada na internet, inclusive esta, substitui aquele documento nem uma avaliação presencial. Na dúvida entre o que se lê aqui e o que a equipe orientou, segue-se a equipe.
O que é o pós-operatório de quadril
Três grupos de cirurgia respondem pela maior parte dos casos, e eles têm objetivos distintos:
- Artroplastia, a prótese de quadril. Em geral indicada por artrose avançada, quando a dor no quadril passou a limitar caminhar, calçar um sapato e dormir. O objetivo costuma ser recuperar marcha, autonomia e confiança.
- Fixação de fratura do fêmur proximal. Frequente em pessoas idosas depois de uma queda. A recuperação envolve o osso, mas também o que o repouso forçado provoca no corpo inteiro.
- Artroscopia do quadril, para tratar impacto entre o fêmur e o acetábulo ou lesão do labrum, com foco no controle do movimento.
A reabilitação costuma ser descrita em fases: proteção da região operada, controle de dor e retomada das transferências, como sair da cama e levantar da cadeira; recuperação da marcha e da amplitude possível; construção de força no glúteo e no tronco; e uma última voltada à atividade que a pessoa quer retomar.
A passagem de uma fase para a outra é decidida na reavaliação, por critérios observáveis, não por tempo de calendário. Conseguir se deslocar com segurança, apoiar sem dor desproporcional, manter o tronco estável sobre a perna operada e subir um degrau com controle contam mais do que qualquer data. Duas pessoas com a mesma cirurgia podem avançar em ritmos diferentes sem que isso signifique problema.
O que costuma causar
Do lado do que leva à cirurgia, os motivos que mais aparecem são:
- Artrose de quadril em estágio avançado, com dor na virilha, rigidez pela manhã e perda progressiva de amplitude.
- Fratura do colo do fêmur ou da região trocantérica, quase sempre depois de uma queda, e mais comum quando existe osteoporose.
- Impacto femoroacetabular e lesão do labrum, com dor profunda na virilha.
- Necrose da cabeça do fêmur, que compromete o osso e leva à dor persistente.
- Sequelas de displasia, que alteram a forma da articulação.
Do lado do que o pós-operatório enfrenta, o padrão costuma ser este:
- Fraqueza da musculatura do glúteo, que já vinha instalada antes da cirurgia por causa da dor.
- Marcha alterada há muito tempo, que não se corrige sozinha só porque a dor antiga saiu.
- Medo de apoiar o peso, sobretudo em quem operou depois de uma queda.
- Perda de condicionamento geral, tanto maior quanto mais longo foi o tempo de pouca movimentação.
- Restrições de posição a respeitar, que variam conforme a técnica e mudam a rotina em casa.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem contato imediato com a equipe que operou:
- Febre ou calafrio nos dias seguintes ao procedimento
- Vermelhidão e calor ao redor da ferida operatória
- Secreção saindo da incisão, com ou sem odor
- Dor súbita e desproporcional, diferente da dor que vinha cedendo
- Panturrilha inchada, endurecida e dolorida, em especial de um lado só
- Falta de ar ou dor no peito, que pedem atendimento de urgência
- Sensação de que a perna ficou mais curta, ou estalo seguido de incapacidade de apoiar
- Dormência ou perda de força na perna que aumentam com os dias
Fora desses casos, as dúvidas seguem para os retornos já marcados e para as sessões, onde mudanças de sintoma costumam ser percebidas cedo.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta avalia o protocolo recebido, a técnica descrita, as restrições de movimento indicadas, o estado da ferida, a dor, a amplitude disponível, a força do glúteo e como a pessoa se desloca e faz as transferências do dia. Em pessoas idosas, entram na leitura também o risco de nova queda e o ambiente da casa.
A segunda é o movimento, dentro do que o protocolo autoriza. Em linhas gerais o trabalho começa pelas transferências e pela marcha com o dispositivo de apoio indicado, avança para amplitude e controle, e depois para força e resistência. Adaptações para vestir-se e para sentar em altura adequada costumam entrar nas primeiras orientações.
Esta página não indica exercício, carga, amplitude nem posição para quadril operado. A razão é direta: o que protege uma prótese pode não ser o mesmo que protege uma fixação de fratura, e o que é liberado depois de uma artroscopia pode ser exatamente o que outra técnica pede para evitar. Quem autoriza é o cirurgião; quem ajusta a execução dentro dessa autorização é o fisioterapeuta que acompanha o caso.
A terceira é a educação sobre o processo, incluindo como organizar a casa, como usar muleta ou andador com segurança e como reconhecer o que precisa ser comunicado.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é o de um processo por fases, em que o alívio da dor antiga costuma aparecer antes da recuperação de força, e a força costuma voltar antes da segurança para caminhar longas distâncias ou em terreno irregular.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende do procedimento, da idade, da fase, do objetivo da pessoa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Posso apoiar o peso na perna operada?
Isso varia conforme o caso e quem define é o cirurgião. Existem situações em que o apoio é liberado logo, com auxílio de andador ou muletas, e outras em que é parcial ou proibido por um período. A orientação da alta é o que vale, e costuma ser revista nos retornos.
Existem movimentos proibidos depois da prótese?
Em muitas técnicas existem posições a evitar por um período, e elas variam conforme a via de acesso usada. Por isso esta página não lista nenhuma: uma lista genérica é rígida demais para um caso e insuficiente para outro. A lista correta é a que veio com a alta.
Preciso usar andador ou muleta?
Na maioria dos casos algum dispositivo de apoio é usado no início, e a retirada acontece de forma gradual, conforme a marcha melhora e a segurança aumenta. Quem avalia isso é a equipe, na reavaliação.
Vou precisar adaptar a casa?
Com frequência, sim, ao menos no começo. Altura de cadeira e de cama, tapetes soltos, iluminação e barras de apoio no banheiro entram na conversa, sobretudo quando existe risco de queda.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Em pessoas idosas, o acompanhamento costuma ser conduzido junto com a área geriátrica, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
As 12 cidades com mais clínicas no diretório. A lista de cada cidade mostra as clínicas de fisioterapia com CNPJ ativo, bairro a bairro. Para outra cidade, busque pelo nome.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
Veja o aviso sobre conteúdo de saúde e a política editorial.